Demorei um pouco para escrever esse post... E sei que foi porque ainda estava tentando compreender o que aconteceu sem julgamentos do tipo "onde eu falhei?" ou "o que eu fiz de errado?" ou "por que não foi como eu pensei?", etc...
Vamos do início.
Na sexta-feira, 18, fui à consulta com a GO: 40 semanas e tudo ok e na mesma - 1,5 cm de dilatação e o Gui ótimo. O more me buscou e fomos "jantar" no Mc Donnald's (acho que o quarteirão que eu comi fez o Gui decidir sair da minha barriga... rsrsrsrs!!!). Voltamos para casa, assistimos um pouco de tevê e dormimos. Perto da 01h30 da madruga o more me acorda perguntando se eu estava bem. Respondi que sim e questionei o motivo de ele ter ficado preocupado. Ele disse que eu estava respirando diferente, como se estivesse com falta de ar. Falei que roncar na gravidez é normal, mas ele disse que não era ronco. Com essa acordada, levantei, fiz um xixi básico e voltei para a cama. Só que não consegui dormir. Simplesmente não peguei no sono. E o Gui, como das outras 3 vezes nas últimas 3 semanas de gravidez, resolveu dar as cabeçadas dele lá embaixo. Cabeçada aqui, cabeçada ali e ele parou. E deu "A CABEÇADA". Eu ouvi um som parecido com um "poc" e logo pensei: "Meu Deus, acho que ele estourou a bolsa. Se eu sentir algo molhado tá confirmado". Era exatamente 2h55 da madruga. Nem terminei de pensar isso e senti que estava me lavando perna abaixo. Dei um pulo da cama e acho que em dois passos eu estava dentro do box do banheiro, com uma cachoeira saindo de mim. Percebi que no meio de toda água que saía, estava também saindo o tampão mucoso. Nisso chamei o more e disse que a bolsa havia rompido. Ele ficou todo atarantado e disse que a gente tinha que ser rápido e ir para o hospital. Lembrei ele que a médica falou que a bolsa romper não era motivo para correria. Avisei que eu tomaria um banho bem relaxante, comeria muito bem antes de sair de casa e que passaríamos na casa da minha mamis para levá-la junto. Saímos de casa perto das 5 da madrugada. Pegamos minha mãe e nos deslocamos para o hospital. Desde o momento que a bolsa rompeu pedi para meu marido anotar em uma folha de papel a hora de cada uma das contrações. E juro que achei estranho, pois estavam muito distantes uma da outra - cerca de 11 , 12 ou 13 minutos. Ás vezes o intervalo diminuía e outras aumentava. Como não estavam ritmadas e com períodos curtos, não me preocupei. Chegamos no hospital perto das 6 da manhã. Fui para a sala de pré-parto onde fizeram enema - a meu pedido - e tricotomia. Avisei que não era para fazerem acesso venoso, pois se houvesse necessidade o fariam no momento de colocar o soro. Estava com 3 cm de dilatação. Meu marido e minha doula entraram comigo na sala de parto normal e nos "instalamos": música relaxante tocando, cheirinho de essência que eu escolhi para o momento, bola suíça, chuveiro à disposição para eu usar quando bem entendesse. O more ia anotando o início de cada contração e a doula me auxiliando com massagens em cada uma delas. Nos intervalos fazíamos exercícios para auxiliar a dilatação. Até perto das 10h30 estava tudo muito bem. Nesse momento as dores começaram a ficar mais fortes e os intervalos entre elas ficaram menores. Pouco depois comecei a sentir vontade de fazer cocô em cada contração. Eu não fazia força, pois sabia que não era o momento. A médica auxiliava nas massagens e na acupressão, além de me oferecer as homeopatias de tempo em tempo. E as dores foram aumentando. Eu caminhava, tomava banho quente, me acocorava, ficava "dançando" com o quadril de um lado para outro... E as dores foram aumentando até ficarem insuportáveis. E quando digo insuportáveis, era porque estavam absrudamente doloridas. Tenho endometriose (diagnóstico confirmado no parto do Gui) e nunca havia sentido cólicas tão fortes assim - e as que eu costumava ter me levavam a desmaiar, literalmente, de dor.
Perto do meio-dia, minha médica fez o exame de toque e viu que eu estava com 8 cm de dilatação. Eu havia dilatado cerca de 1 cm por hora, mas o Gui continuava muito "alto" - não descia. Ela estava pronta para chamar o pediatra que acompanharia o parto. Como eu estava com dor demais, ela disse que antes de eu decidir qualquer coisa queria ouvir os batimentos do Gui. Então, ela chamaria o anestesista e conversaríamos sobre as opções. Mas deixou bem claro que sabia que eu tinha força para aguentar e conseguir o parto normal que eu tanto desejava. Meu amor estava todo esse tempo ao meu lado, segurando minha mão e me dando apoio para continuar, dizendo que eu era forte e que conseguiria passar por tudo com coragem e de acordo com o que eu tinha planejado durante toda a gravidez.
Então, minha contração terminou e a médica ouviu o coração do Gui: perto de 130bpm - ótimo. Mas, logo em seguida começou outra contração e eu avisei. Ela continuou ouvindo o coração do Gui e foi esse o pior momento da minha vida... Os batimentos cardíacos dele baixaram demais - e eu ouvi ele quase parar. A médica olhou para a enfermeira que estava ao lado e disse "Cesárea correndo pois não temos muito tempo". Entrei em desespero. Eu só queria saber o que estava acontecendo com o Gui e em menos de um minuto havia duas enfermeiras em volta de mim, me preparando para a cirurgia. Eu chorava feito uma louca e sentia um aperto enorme no meu coração. Ao mesmo tempo em que eu pensava "onde foi que eu falhei", eu rezava e pedia a tudo que é santo que salvassem a vida do Gui.
Resumindo tudo, em poucos minutos o Gui nascia, sem chorar, nem se mexer. E eu ouvi a médica dizendo "ainda bem que ele abriu os olhos". A pediatra pegou ele e correndo o tirou da sala onde eu estava. Falei chorando para o more grudar nele pois eu estava bem e não me importava com o que acontecia comigo. O importante era saber do Gui. Ouvi um choro vindo de outra sala, mas sabia que não era o do meu filho. Fiquei poucos minutos, que me pareceram séculos, querendo notícias do meu filho. E então ouvi novamente um choro e sabia que aquele era o Gui. Pouco tempo depois chegava ele, nos braços da pediatra, para ficar comigo. Não consigo explicar o alívio que senti ao ver o meu filho, junto de mim, me olhando e ouvindo minha voz. Eu sentido a pele do rostinho dele no meu, sentindo o cheirinho dele e vendo os olhinhos dele, as duas bolitinhas com as quais eu havia sonhado no início da gravidez. Meu filho estava bem e isso era o que importava.
Ainda no hospital, vi por duas vezes o meu marido chorar copiosamente, a ponto de faltar o ar, como nunca eu havia visto nos quase 15 anos que estamos juntos, por causa de tudo o que aconteceu.
Mais tarde, quando eu estava melhor, a médica veio nos explicar o que havia acontecido. O Gui estava com duas circulares de cordão e quando ele fazia força para descer, tracionava a placenta. Em função disso, houve descolamento da placenta e um grande coágulo se formou. Ela disse que ele ainda não tinha entrado em sofrimento, pois não havia mecônio no restante da água, mas que havia inalado um pouco de sangue ao nascer por causa do coágulo. O apgar do primeiro minuto ficou em seis e o do quinto minuto ficou em oito.
Hoje, duas semanas depois do nascimento do Gui, consigo olhar para toda essa situação e segurar as lágrimas. Ainda lamento um pouco o fato de não ter conseguido o parto normal. Mas, como eu confiava na minha GO e sabia que ela só faria a cesárea caso houvesse algum risco para o Gui, eu sei que a decisão dela foi a melhor de todas - ela salvou o meu filho. A pediatra que assistiu o Gui disse que se a gente tivesse esperado mais cinco minutos não saberia se ele conseguiria sobreviver... Isso é o que acalma meu coração e silencia meu lado racional, que tentou, durante dias, descobrir onde eu havia falhado. E como minha querida amiga Ana Marafigo me disse, "está tudo perfeito no Universo. Era para ser assim e um dia tu entenderá o motivo disso". Ahow.
Hoje, vendo meu pequeno (grande) pimpolho saudável e perfeito, agradeço a Deus por ter ao meu lado as pessoas certas na hora certa para me ajudar no momento mais importante da minha vida: o nascimento do meu filho. Sei que ele é um milagre, pois durante a cesárea a cirurgiã auxiliar perguntou para a minha GO como eu havia engravidado, já que estava repleta de aderências de endometriose. E minha GO respondeu: "essas são minhas pacientes especiais!".
Viva o milagre do Gui: uma vida que entrou na minha vida!!!
ps.: ele chegou no dia 19 de fevereiro, às 12h31, com 50 cm e 3,075 kg. 10 dias depois, na consulta com o pediatra, havia aumentado para 52,5 cm e 3,270 kg. Um verdadeiro tourinho!